Entrevista – Solni Inácio da Silva

Qual seu nome?
Solni Inácio da Silva

Qual a sua idade?
58 anos

Em que ano você estudou na Cerâmica Boa Nova? Qual era sua idade na época?

Entrei para Cerâmica Boa nova no ano de 1978, com 12 anos de idade.

Você estudava na escola regular também? Como era, me conte um pouco sobre sua rotina naquele momento.

Sim, estudava nas escolas estaduais na época, ia para cerâmica no contraturno. Eu estudava no período da manhã e ia para a cerâmica a tarde, quando terminei o ensino fundamental, hoje, 1ª fase do ensino fundamental, na época eu iria para o ginásio, seria 2ª fase ensino fundamental. Consegui uma autorização da Diretora, na época, Prof.ª Rafa, para estudar a noite e poder ficar período integral na cerâmica, precisava de ganhar um pouco mais para auxiliar a família. Só consegui estudar porque a cerâmica financiava os objetos escolares para os alunos, pois todos os livros, cadernos eram comprados, a cerâmica financiava, e descontava ao longo do ano em pequenas parcelas, só assim conseguíamos adquirir os livros, que não eram baratos.

Você conviveu com a D. Margarida?

Sim, e muito. Tudo que sou, agradeço a Ela.

O que você aprendeu com ela de mais significativo para sua vida?

Não só ela, mas toda a equipe que nos dirigiu, nos orientou a sermos pessoas de bem. Ela foi sempre o exemplo, o apoio, a minha segurança na vida.

Qual é a sua profissão hoje?

Sou Funcionário Público Estadual, sou graduado em história pela UEG e pós-graduado pela UFG.

O que significou para você ter estudado na Cerâmica Boa Nova?

Para mim, a cerâmica foi fundamental em minha vida, pois recebi toda orientação de educação em minha adolescência, complemento essencial, uma vez que meus pais, lutando para prover o alimento em casa, não tinham tempo e nem condições de auxiliar e me orientar para o momento em que estávamos vivendo, mudança de século, mudança de milênio, tudo muito novo. Provavelmente eu teria me perdido no mundo das drogas e marginalidade, pois vinha de uma família de baixa renda, onde a desigualdade era muito evidente. Na cerâmica, principalmente, Dona Margarida, sempre nos mostrava que era possível, vencer com dignidade, sem passar por cima das pessoas. Que, através do estudo e do trabalho, podíamos vencer na vida. E o mais importante não era adquirir bens, mas ser pessoas de bem. Isso foi minha formação para minha vida.

De que forma ter estudado na Cerâmica Boa Nova influenciou no seu modo de vida hoje?

Acho que foi respondida na questão 8.

Você recomendaria aos pais, nos dias de hoje matricularem seus filhos em alguma atividade realizada na Cerâmica Boa Nova Educacional? Por que?

Com certeza, mesmo que a legislação não aprove, o sistema de educação melhorou muito. Hoje, toda criança e adolescente tem direito a vaga na escola, onde recebe todo material didático e uniformes gratuitamente. Muitas vezes, recebe incentivos financeiros para estudar, o que em nossa época, não existia. Hoje os desafios são outros: tecnologia, febre do celular, percebemos uma geração adoecendo pela solidão, doenças da alma, como depressão, a onda das síndromes leva um número exorbitante de crianças e adolescentes aos consultórios médicos e/ou como fuga ao mundo avassalador das drogas. Projetos como o da cerâmica proporcionam às crianças e adolescentes passar por essa fase da vida de forma mais leve, descobrindo valores essenciais da vida, exatamente contrário ao que o “Sistema Capitalista” de certa forma, impõe. A convivência, as brincadeiras, iniciação ao trabalho, contribuem essencialmente na formação do caráter, formação integral da pessoa humana, esse é o diferencial da educação regular das escolas, que se preocupa apenas com a instrução, deixando muito a desejar na formação integral do indivíduo.